
Hoje eu quero falar de amor. Não de um amor qualquer. Quero descrever um amor que não conhece fronteiras. Um amor utópico. Quero apresentar um amor desconhecido pela maioria. No geral há seis palavras que muitas vezes são traduzidas por “amor”. O amor de que quero falar não é o amor eros, que se baseia na atração sexual; nem storge, um sentimento baseado na relação de sangue; tampouco o filía, o caloroso amor da amizade que se baseia na estima mútua. O platônico existe somente no plano das idéias e sonhos. Esse também não me interessa. O amor pragma eu desprezo, pois ele prioriza o lado pratico da coisa, aonde o individuo avalia todas as possíveis implicações antes de embarcar num romance. Esse é o amor interessando em fazer bem a si mesmo. O amor que espera algo em troca...
O amor de que quero falar é o ágape — o amor baseado em princípios. O amor ágape tem a ver com a mente: não é simplesmente uma emoção que surge espontaneamente no nosso coração (como pode ser no caso do filía); é um princípio pelo qual vivemos deliberadamente. Ágape tem superlativamente a ver com a vontade. É uma conquista, uma vitória e consecução. Ninguém jamais por natureza amou seus inimigos. Amar seus inimigos é uma vitória sobre todas as nossas inclinações e emoções naturais. A supremacia de amar o que não dá para amar. Amar pessoas de quem não gostamos ou não devíamos gostar.
O verdadeiro amor deve fazer com que pensemos nos outros primeiro e não nos nossos próprios interesses, insistindo em que temos o direito de fazer as coisas sem considerar como afetaria os outros. Segundo o amor ágape, devemos amar até mesmo os que não evidenciam merecer nosso amor. Talvez sejam cínicos, egoístas e até mesmo imorais ou criminosos. Entenda que odiaremos o que eles fazem e dizem, mas devemos, ao mesmo tempo, preocupar-nos com o bem-estar pessoal deles. Faremos tudo o que pudermos para animá-los a aceita-los como são. Sem julgá-los. Sem tomar vingança nem ter ressentimento contra quem quer que seja. Os praticantes desse estilo de amor entregam-se totalmente. Investem no relacionamento mesmo sem ser correspondido. Sentem-se bem quando o outro demonstra alegria. Se colocados no limite, são capazes até mesmo de renunciar ao parceiro se acreditar que ele ou ela podem ser mais felizes com outras pessoas. É visto por muitos, como uma forma incondicional de amar.
A maioria pensa que o amor é um sentimento que deve brotar espontaneamente, mas não é bem assim. O amor ágape não se trata primariamente duma emoção, mas sim duma decisão calculada que resulta em ação. O nosso amor, portanto, não deve se limitar a fazer apenas o que é fácil, ou restringir-se aos poucos amigos selecionados. O amor verdadeiro e honesto exige esticar o nosso coração, por assim dizer, ou seja, ser amoroso mesmo que fazer isso seja desafiador. Obviamente esse tipo de amor é algo que temos de cultivar e aperfeiçoar, assim como um atleta precisa treinar e aprimorar suas habilidades. Mas isso pode ser perigoso. Como eu expliquei hoje para uma amiga, esse amor desprovido de julgamentos é possível, mas pode ser tão difícil e perigoso quanto engolir espadas.
Eu sei por que eu me machuco amando assim
E você? Que tipo de amor pratica?