
Quem? Onde? Quando? Como?
Beijo o meu demônio musculoso de olhos puxados.
Bem ali atrás do balcão.
Quando a loja do pecado estiver para fechar.
Com uma bolinha de chocolate recheada de licor de cereja na boca...
E você? Quem? Onde? Quando? Como?

Quem? Onde? Quando? Como?
Beijo o meu demônio musculoso de olhos puxados.
Bem ali atrás do balcão.
Quando a loja do pecado estiver para fechar.
Com uma bolinha de chocolate recheada de licor de cereja na boca...
E você? Quem? Onde? Quando? Como?
Figura Auto Explicativa
(ou “Feliz Dia das Bruxas”)

Caminhos
Festa de aniversario. Vejo-me sentada em um dos sofás com um copo na mão. Observo a aniversariante. Primas, amigas, comadres e confidentes. Difícil definir o que somos agora após tantos anos juntas. Hoje a festa é dela. Três anos de diferença nos separam. Nascidas na mesma família, ambas compartilharam praticamente a mesma infância. Porem, sentada naquele sofá azul, eu me dou conta de como nossas vidas tomaram caminhos totalmente diferentes.
Ela: divorciada, um filho, dois empregos ruins e um namorado que ambas achávamos inadequado demais para ser qualquer coisa nossa alem de um bom amigo há 15 anos atrás. Eu: solteira, sem filhos, um emprego muito bom e nenhum relacionamento serio o bastante para trazer para aquela festa familiar. Ela: devendo ao banco, problemas com o ex-marido boa vida e uma gata siamesa mais idosa que a Hebe Camargo. Eu: conta bancaria oscilante, resolvendo a minha vida e uma gatinha kamikaze de um mês de vida. Eu viajei o mundo. O mundo dela é seu filho, e meu afilhado, Felipe. Eu quero crescer como pessoa. Ela quer apenas pagar as contas. Eu leio Nietzsche. Ela assiste “Paginas da Vida”. Ela acha que a sua vida não vai mais melhorar. E eu acho que a minha esta apenas começando...
Admito que invejo a simplicidade com a qual ela leva a sua vida. Caminhos diferentes nos separaram e nos levaram a ter experiências distintas. Mas mesmo assim, mais de vinte anos depois, aqui estamos. Eu e ela. Juntas. O tipo de amizade que vai continuar a vida inteira, apesar de nossas diferenças. Pergunto-me quantas pessoas conseguem ter um relacionamento assim. Poucas possivelmente.
Horas mais tarde, indo para casa, eu me pego imaginando como minha vida poderia ser diferente se eu tivesse escolhido os mesmos caminhos que minha boa "amigaprima". Oportunidades existiram, mas eu decidi deixa-las escaparem de mim de maneira consciente. Olho pela janela do carro. Sei que a minha vida é exatamente aquilo que eu quero que ela seja. Tenho a liberdade da escolha. E ao me dar conta disso, eu sorrio. Por que eu chego a conclusão de que, apesar dos pesares, eu não quero ser ninguém alem de mim mesma.

Para que floresça mais bela
Viaje o mundo. Corra contra o vento e siga o seu destino. Mas tome cuidado. Os sentimentos alheios são como pequenas flores ao longo do caminho. Por vezes, sem notarmos, pisamos naqueles que queremos bem e esmagamos suas pétalas. E uma vez que massacramos a delicadeza do sentimento em flor, não há volta. O sentimento puro se perde para sempre. Perda irreversível.
A única saída então é admitirmos o nosso erro, intencional ou não, e tentarmos consertar o estrago. Trazer de volta à vida a flor que morreu é impossível, mas podemos sim plantar uma outra rosa amarela em seu lugar. E se essa nova rosa jamais for igual aquela que morreu, que pelo menos ela seja regada e cuidada com muito mais cuidado e amor do que a sua antecessora. Para que floresça mais bela que qualquer uma já vista sobre a face da terra...

“Saindo para Viver”
A primeira sensação ao acordar é de dor de cabeça. Mas do tipo bom. Ela se da conta disso ao olhar o relógio: Já eram onze e meia da manha. Sorri com satisfação. Nada contra ter dor de cabeça por se dormir demais, não é mesmo? Naquele dia ela não precisaria trabalhar. Dia de folga. Disposta, ela se levanta. Toma cuidado para não acordar o “filhote de urubu” (nome carinhoso dado para a gatinha toda preta de um mês adotada pela família) que estava dormindo aos seus pés. Sem fome, ela vai direito para o chuveiro com os braços repletos de produtos de beleza para o seu banho especial de sexta-feira. Sente-se culpada ao deixar o banheiro quase meia hora mais tarde. No dia anterior ela havia lido sobre a necessidade de se tomar banhos rápidos para salvar o meio ambiente. Mas como economizar água quando se tinha cabelos compridos? Se ela fosse careca como o seu pai, poderia tomar duchas de cinco minutos ao invés de perder horas passando xampu, depois condicionador, mascara capilar e creme de tratamento de choque para os fios longos... E isso era só o começo, por que ainda havia a depilação providencial debaixo do chuveiro e a esfoliação com o sabonete especial da Natura. Ficar bonita e cheirosa, meu queridos, realmente dava trabalho e desperdiçava água, para tristeza da morena e do ecosistema...
Já no quarto, e após perder mais 20 minutos passando a droga do creme de amêndoa para pele, ela olha o seu armário e não vê nada que goste. Não era para menos. A ultima vez que ela havia comprado roupas o excelentíssimo senhor Luis Inácio ainda estava tentando se eleger presidente da Republica pela primeira vez... argh! Discretamente da uma espiada no armário da irmã e vê dezenas de coisas que ela poderia usar. Maldita tentação. Ela havia prometido não usar mais as roupas dela. Resmunga um palavrão em inglês e volta a vasculha o seu próprio armário ate achar uma calça jeans escura descente e uma mini-blusa negra que ela nem lembrava que existia. Calca a sandália preta e os acessórios de prata. Brinco, pulseira, anel e relógio. Tudo prateado. Vai ao banheiro e ajeita os cabelos uma ultima vez. Resolve larga-los soltos nos ombros. Gosta do que vê no espelho. Borrifa uma nuvem de perfume e atravessa a névoa molhada. Passa a mão na bolsa e pega as chaves. Deixa o apartamento vazio para trás. Ela estava saindo para ver as pessoas na rua. Ela estava saindo para ser vista. Ela estava saindo para viver...

Sempre achei que iria casar com um japonês. Em tardes regadas a bolinho de chuva e chá gelado, minha mãe gostava de falar sobre a minha infância. Em uma dessas historias, quando eu tinha 3 anos de idade, minha mãe contava que havia esse menino que morava perto de nossa casa. Um verdadeiro monstrinho que só sabia bater e brigar com todo mundo na rua. Esse japonesinho invocado tinha 10 anos, alem de ter os brinquedos mais legais de toda vizinhança. Diz a lenda que ele só deixava uma certa menina tocar nos brinquedos dele, e apenas para ela ele se revelava um menino dócil e gentil. Essa menininha, segundo a minha mãe, era eu.
Influenciada pela minha própria versão da Bela e a Fera, eu cresci acreditando que um dia eu iria encontrar um japonês e viver feliz para todo sempre. Infelizmente eu jamais encontrei algum japonês que me chamasse a atenção, sem falar que eu aprendi que “viver feliz para sempre” só acontece no Brasil se você conseguir terminar a sua carreira com a aposentadoria de juiz federal... Mas enfim, deixei de lado essa minha tola convicção e não pensei nisso. Não pensei mais nisso ate dois meses atrás...
Dessa vez o demônio era musculoso e tinha olhos puxados. A primeira vez que eu o vi, eu fui tomada pela surpresa. Coisa minha, sabe? Eu sempre me surpreendo quando vejo alguém realmente bonito. Não era opinião pessoal, era um fato: O demônio da casa de doces era belo. A pequena porta que vendia guloseimas sempre estivera ali próxima da escola aonde eu trabalho, mas havia sido vendida há pouco tempo para um casal que havia vindo do interior. Ele, um descendente de japonês, e ela, uma paulista de interior de São Paulo. Com eles veio o filho, esse demonio belo, que era a mistura dos pais: traços orientais com um sorriso aberto típico de gente que nasceu e se criou em cidade pequena. Honestamente, os músculos nos braços e pernas eu não sei de quem esse menino puxou...
Infelizmente o demônio realmente vivia e trabalhava na casa do pecado. Três meses atrás eu havia decidido cortar a cota semanal de chocolate e doces. Meu corpo agradeceu, mas os meus olhos, sedentos de colírio, lamentam essa decisão diariamente. Sigo a rotina e toda quinta-feira (dia da semana para comprar chocolate para o fim de semana) eu visito a casa de doces e revejo o meu colírio. Tal qual a raposa na historia do pequeno príncipe, eu sigo cativando o rapaz simpático e gentil dia após dia, conversando e criando maneiras mil de vê-lo sorrir daquela maneira envergonhada que só ele consegue (descobri que tenho um fraco por homens que não sabem sorrir direito. Timidez para mim sempre foi um “turn-on”).
Hoje é quinta-feira, portanto, é dia de visitar o inferno com suas tentações em forma de cacau adocicado e pedir para aquele que anda me fazendo perder o sono:
“Cem gramas de chocolate com licor de cereja, cem gramas de chocolate com licor de menta e cem gramas de chocolate com waffer dentro... Não tem presa não, querido. Leve o tempo que for necessário para pesar isso que eu espero com o maior prazer...”

*Texto revisado (com a mensagem decodificada)
“Como escrever uma carta $ Ξ © ® ë Ŧ @ de Amor”
Existem varias razões pelas quais alguém precisa ou gostaria de escrever uma carta secreta de amor. Talvez ate mesmo publicar uma declaração de amor em algum blog sem que ninguém mais veja (ou entenda) a mensagem a não ser o alvo de seu afeto. Com o intuito de ajudar aqueles que desse subterfúgio amoroso necessitam, eu venho por meio desse texto ensinar um método simples de se declarar com o maximo de discrição possível. Tudo começa com a assinatura da carta/texto. Ao assinar, escreva um nome do meio que não seja o seu verdadeiro. É necessário que o destinatário da sua mensagem secreta saiba o seu nome correto e completo para saber se aquela carta tem uma mensagem secreta ou não. Escolha qualquer nome. O nome que escolhi aqui foi “Albuquerque” e esse é um vocábulo com 11 letras. A mensagem secreta vai começar a partir da frase de numero onze desse texto. Se eu tivesse escolhido “Alvez”, a mensagem começaria na frase de numero cinco (Alvez = cinco letras). Após se determinar de que ponto a parte codificada vai começar, tudo que se tem que fazer é pegar as letras da sua mensagem e formar novas palavras com elas, cada letra da mensagem codificada vai ser apresentada em sequencia e começar uma nova palavra no texto a partir da frase determinada; mas sempre tentando manter algum senso de coerência no que se esta dizendo, para que não fique muito evidente que há uma mensagem escondida ali. É uma maneira extremamente audaciosa para alguém implicar xodó. O nítido em incógnito, para esconder lirismo onde pessoas impróprias passam olhos que usurpam esperanças indiscutivelmente reais... Ocultas. É sempre complicado dizer o que se sente, ainda mais com gente querendo azedar o seu romance. Após escrever a sua declaração, continue a escrever normalmente a carta. Quando as letras em seqüência param de fazer sentido, significa que a mensagem codificada terminou. Ela, a declaração, pode ter o tamanho que se quiser, a minha nesse texto foi curtinha e simples. Para aqueles que realmente entenderam a brincadeira e querem brincar também, eu desafio a deixarem um comentário codificado. Como espaço é curto, contarei a partir da primeira frase... Senão, apenas escrevam a mensagem secreta contida nesse texto, para mostrar que entenderam essa bobagem toda que eu escrevi... Por que nem eu sei se fui clara. :o)
Atenciosamente,
Valquíria Albuquerque Alcântara
*Mensagem codificada: Eu me apaixonei pelo pipoqueiro. :o)
Figura Auto Explicativa
(ou “Eu vou sentir a sua falta, Ana”)

O único amor que ainda me resta...
Sonhei um sonho que não era meu. Sonhei que ele estava junto a mim. Sonhei que ele era real. Do sonho restou o coração. Pulsante e vibrante. Completamente ensandecido a procura daquilo que lhe fora negado. Amor sem sina. Sentimentos dobrados e embalados em uma carta vermelha sem destinatário. Das vontades negadas só restou a de beijar a vida na boca e sugar-lhe de seus lábios virgens a essência de quem eu sou e da pessoa que quero ser. Quero trepar com o mundo e dar a luz ao amor sem limites. Meu afeto utópico. O único ódio que me resta eu brindo a lua e as estrelas. Cúmplices mal-intencionadas. Odeio cada uma delas. Vivacidade que vejo no céu, eu te desprezo. Da noite eu só quero a inconsciência. Do dia quero o calor que me abraça e me faz viva. O sol é meu guardião. Minha única riqueza tem a cor de amarelo ouro. Debaixo do azul céu profundo eu caminho. De mãos dadas com o único amor que ainda me resta: a musica.
Escutando:
“So Sick” – Ne-Yo (por causa dele...)
“Butterfly” – Corinne Bailey Rae (por sua causa poeta...)
“A New Day Has Come” – Celine Dion (por que a vida continua...)
“Deep Water” – Jewel (por que eu vi minha estrelinha chorando...)

“Le Baiser” (The Kiss) by Auguste Rodin.
A Síntese do Amor Utópico
Vários anos atrás eu assisti o filme “Camille Claudel”, e foi através dele que eu conheci a genialidade do escultor Auguste Rodin. Hoje, admiradora de suas obras, possuo em meu quarto alguns retratos de suas peças. Apesar da escultura Le Penseur (“The Thinker” ou “O Pensador”) ser a sua criação mais famosa, a arte que me motivou a escrever hoje é a celebre peça Le Baiser (“The Kiss” ou “O Beijo”).
Auguste Rodin confessou certa vez que a sua maneira de esculpir mulheres era uma homenagem a seus corpos não só se submetendo aos homens, mas como plenos sócios
Quando analiso a escultura, eu percebo que não há como determinar quem começou a caricia. Não há como definir quem esta cobiçando com mais ardor ou quem esta cedendo com menor resistência. É a perfeita harmonia entre a vontade de possuir e o desejo de se entregar. Essa escultura, em minha opinião, é a síntese do amor utópico: O amar e ser amado na mesma intensidade.
“The greatest thing you'll ever learn is just to love and be loved in return”
- Christian - Moulin Rouge -
Mas o que é simples é verdadeiro: É absolutamente impossível amar e ser amado na mesma intensidade. Cultura, família, experiências passadas, conta bancaria, amores antigos, realidade e bagagem emocional... Tudo isso influencia a maneira de amar de cada um. Por isso há tantos desencontros e atritos ao redor do mundo apesar da vontade de achar a felicidade ser mutua e universal. A grande tragédia de nossas vidas se resume no fato de que sempre iremos amar alguém que vai nos amar de volta com menor ou maior intensidade. E sendo assim, se o amor realmente não pode ser igual, eu vou roubar as celebres palavras de W.H. Auden e dizer, alias solicitar, a quem quer que esteja lendo esse texto e que por ventura tenha por mim algum tipo de carinho, admiração, desejo, amor ou afeição, um simples pedido:
“Se o amor não pode ser igual entre nos, permita-me ser o mais amoroso.”

...Todas as Coisas...
“Time passes in moments. Moments which rushing past define the path of a life just as surely as they lead towards its end. How rarely do we stop to examine that path? To see the reasons why all things happen? To consider whether the path we take in life is our own making or simply one into which we drift with eyes closed…
But what if we could stop? Pause to take stock of each precious moment before it passes? Might we then see the endless forks in the road that have shaped a life? And, seeing those choices, choose another path?”
- Dana Scully by Gillian Anderson – episode: “all things” -
- 7th season – The X-Files -
"O tempo passa
Mas e se pudéssemos parar? Pausar para observar cada momento precioso antes que ele passe? Poderíamos então talvez ver a encruzilhada sem fim na estrada que molda nossas vidas? E, vendo estas escolhas, escolher um outro caminho?"
- Dana Scully por Gillian Anderson – episodio: “todas as coisas” –
- 7ª temporada – Arquivo-X -

"Sweet Dreams are Made of This"
Corre apressada. Sobe as escadas. O maldito elevador estava quebrado. Reza mentalmente para a tira delicada da sandália não quebrar. Ela devia treinar de salto alto na academia para melhor enfrentar situações como aquela... Sétimo andar. Quarto 3. O som da musica escorria pelo vão da porta, que por sinal, estava entreaberta. Ajeita o vestido negro. Confere se o brinco de prata esta no lugar e posiciona melhor o relógio no pulso antes de entrar. Imediatamente se espanta com o numero de pessoas lá dentro. Havia mais gente na festa do que ela imaginava. Rostos se voltam. Ela vive o segundo inconfortável de não se ter alguem ao seu lado ao se chegar em um lugar. O segundo passa e os rostos que lhe cumprimentaram de longe voltam para a posição de antes. Caminhando pelas pessoas ela se faz notar. Um espelho em cima de uma das paredes lhe avisa, discretamente, que os cabelos soltos em cima dos ombros lhe davam um ar sofisticado e levemente casual. Os óculos de armação leve lhe conferiam um falso ar intelectual. Havia um brilho nela. Possivelmente a vontade de amar lhe deixava radiosa...
Após alguns minutos, ela reencontra um antigo amigo. Homem feito, ele agora tinha o seu próprio negocio. Conversam e descobrem coisas sobre si. O tempo passa e ela relaxa. Impressionam-se com a facilidade com que ambos encontram assunto para dialogar. Um arrepio. Alguma coisa estava errada. Ela olha por sobre os ombros e focaliza a porta de entrada. O antigo amante havia chegado com o seu novo anjo. O casal entra na festa. Ela percebe o olhar dele sobre si. Há raiva nos olhos escuros. Ela desvia o olhar. Concentra-se no novo-antigo amigo. Era melhor assim...
Ela deixa o parceiro de conversa por um instante. Escuta o pedido dele e concorda em não se demorar. Vai ate o banheiro para retocar a maquiagem. Assim que ela ingressar no local, um corpo força a entrada e entra atrás dela, fechando a porta atrás de si. Era o antigo amante. Ele estava possesso. Ela identifica os sinais claros de despeito amoroso...
- O que foi? Quer me beijar? – Ela pergunta de forma belicosa, provocando-o, se colocando contra a pia.
- Você não tem a MENOR idéia do que é um italiano com ciúmes... – Ele praticamente cospe as palavras no seu rosto, se aproximando mais do que o necessário.
- Você não tem a menor idéia da raiva que é ver um italiano com ciúmes de mim com ele abraçando outra guria... – Ela devolve imediatamente, revoltada por ele estar ali atrás dela quando a sua nova namorada estava em algum lugar da festa, esperando por ele.
- A minha vontade é entrar naquela sala e te beijar na frente dele! – Ele ameaça com rispidez, mais do que ciente dos sentimentos que ela ainda nutria por ele, se referindo ao seu novo companheiro.
- Entra então! – Ela desafia, sem medo. - Entra lá e diz na frente de todo mundo que eu sou tua. – Ela provoca mais ainda. - Ou você prefere que eu vá lá, na frente “dela” e diga com todas as letras que eu quero te arrancar a roupa e te beijar inteiro? – Ela descreve a possível cena olhando-o nos olhos. Não havia o que temer. Ela sabia qual seria a resposta dele.
- Se você fizer isso NUNCA mais falo com você e falo sério! – Ele se assusta com a ameaça feminina. Ambos se olham com raiva. Mas ele é fraco. Tem medo que ela cumpra a intimidação e imediatamente sai da frente dela, sumindo para longe, ao atravessar a porta.
Assim que ele sai, ela se tranca. Confere duas vezes se a chave realmente havia prendido a folha de madeira contra o batente, antes de encostar a cabeça no azulejo frio do banheiro. Respira fundo. Ela não chora. Havia apenas uma revolta que só fazia crescer dentro dela. Maldito pesadelo...
Sai do banheiro refeita. Não há sinais do tumulto emocional dentro de si. Ela mais sente do que vê o antigo amante em um canto da festa, agarrado com sua menina. Ignora-o com facilidade. Vai ate o novo-antigo amigo. Sussurra algo em seu ouvido. O homem feito apenas sorri e faz um sinal afirmativo. O rosto sem barba beija-lhe a face e lhe da a mão. Juntos deixam a festa. Entram em seu carro e se beijam com sofreguidão. Ele lhe toca os lábios com volúpia, enquanto ela beijava com intensidade alguém que não estava ali e que jamais saberia qual seria o sabor dos seus lábios de mel...

O Ciclo das Lepidópteras
Gosto de andar pela orla da praia nas primeiras horas da manha. Tenho o privilegio de morar junto ao mar e procuro aproveitar essa dádiva que me foi dada. Caminho entre ruas vazias. O céu escuro ainda oculta o novo dia que esta para nascer. As nuvens pesadas me avisam que a manha será nublada e sem sol. Uma ameaça de chuva no céu que não chega a ser concretizada. Na areia úmida somente o beijo das ondas. Estou sozinha nessa imensidão. Esse é sempre o melhor momento do dia para se pensar...
Sento em um dos bancos ao longo da beira do mar. Existe um ventinho gelado a me tocar o rosto mas eu aprecio o seu toque. Sempre gostei de clima frio. Assim como sempre gostei de estar só com os meus pensamentos. De frente para o mar eu me vejo. Déjà vu instantâneo. Eu já me vi nessa mesma posição tantas vezes. Sou uma criatura de hábitos. E olhar o mar sempre me faz encontrar respostas para as perguntas que eu ainda não aprendi a fazer. Mas nesse momento, eu não quero resposta, apenas conclusões. A mente, tela em branco nessa manha, começa a ser pintadas com fragmentos de idéias, fatos e palavras... Visões estranhas se mesclam: o filho do japonês, um maço de cigarros Free, uma gatinha negra de olhos verdes, uma lousa em branco, um demônio de uniforme, um nefelin em forma de estrela, uma casa na praia de paredes vermelhas, meu amor americano, uma tela de computador acesa no escuro da noite, meu belo e sensível croata, um maço de flores que nunca foi dado, a Westminter Abbey, o Lincon Center, um siciliano de olhos azuis sem memória, uma mesa de bilhar, um beijo roubado, camarão para a sopa, poesia eletrônica, a escultura em bronze de Rodin, um amor que eu deixei escapar em alto mar e o ciclo das lepidópteras... Nossa... Que viagem.
Uma dia qualquer, Já tarde da noite eu ia
Andando pela orlA da praia e seguia
Pensando no que havia acontecIdo com a minha vida. Meus dias
Pareciam bem mais longos,sem coR e sem sabor.Tudo por causa da dor
E se por um ladO eu sabia quem era
O culpado maldoso por tAnta consternação, por outro
Eu procurava enxergar em todo lugar, Na beleza do mar, saída para meu pesar
De tanto olhar, eu Acabei por encontrar
A resposta tão simples Diante de mim ali estava
Quem eram aquEles que por mim
Lutavam e Blogavam ?
Quem eram aquelas pessoas Boas que comigo se importavam?
Não eram de forma alguma Insensíveis a minha triste dor?
Sei quem são E sei seus nomes
E se não escRevo todos aqui
É porque espaço nãO tenho para canta-los
Em verso e prosa o que Já fizeram por mim. Amo
Todas essas criaturas qUe me cercam de amor
De carinho infinito que Não termina, apenas se
Renova a cada novo dIa que nasce. Provas de
Afeto eu vejO diariamente
E por causa disso, eu sou gRata a cada um deles. Pois
Em cada gesto, cada palavra, cada Intenção que se esconde por trás de Cada comentário escrito, eu Leio um carinho que me comove Se mereçO tudo isso Eu realmente não sei. Não Vou pensar nisso agora, pois Prefiro ser Egocêntrica e Pensar Pessoas que sabem O que dizem, mesmo Se o que dizem é o qUe eu tenho dificuldade Em aceitar... Que sou sim uma pessoa bem legal Que merece sim amar alguém. Pena que eu ainda não sei quem ♥ 

Você vem no meio da noite
Quando as defesas estão baixas
Procurar-me dentro do labirinto
Fantasma que vive nos meus sonhos
Por que não me deixas?
Quando eu não posso me defender
O Pesadelo se aproxima
Eu não posso negá-lo
Durante a noite sou fraca
Permito que se apodere de mim
Puxa-me de meus sonhos pacíficos
Ele quer me atormentar
Visões macabras de um futuro que jamais aconteceu
Mesclam-se com a de um presente que não foi previsto
Eu seguro as lagrimas
E a escuridão e a minha única testemunha
Das injustiças de que sou acometida
Me cobra coisas que não lhe pertencem
Me julga por coisas que não sabes
Me leva a loucura por puro prazer
Quando eu estou faminta de atenção
Põem-me em fogo com sua presença
Apenas para me abandonar nesse deserto solitário
Triste de mim que já não sei mais sonhar
E noite após noite
Eu ainda espero
O próximo pesadelo chegar...

Visão do Passado... Promessa do Futuro
Impulso. Deixo de lado a ida no banco e resolvo assistir um filme. Olho a lista. Nada me chama a atenção. É final de tarde em uma sexta-feira qualquer. Vejo crianças por todos os lados com seus pais a tira-colo. Resquício do feriado anterior. Resolvo ver um filme infantil. As peripécias de uma Chapeuzinho saidinha vai me servir por hora. Deixo-me ser assaltada pelo valor do ingresso. Mantenho a calma e tento não colocar as mãos para o alto quando escuto o preço de uma entrada inteira. Olho para os lados. Não há policia por perto. Entrego o dinheiro sem fazer escândalos. Afasto-me da assaltante de sorriso bonito e de rabo de cavalo e caminho sem pressa ate o estande de doces e afins. Minha garganta seca implorava por alguma coisa doce. Não me permito tomar refrigerantes, mas sempre abro uma exceção quando vou ao cinema. Não há filas naquele estande em especial por que é o mais afastado da entrada. Vejo um rapaz de costas, abaixado, mexendo em alguma coisa dentro de um armário.
- Oi? – Por que eu coloquei a interrogação no final da interjeição eu não sei, mas me pareceu algo educado a se fazer naquele momento.
- Ah? Ah! Oi... – O rapaz responde, voltando o rosto na minha direção ao mesmo tempo que abria o sorriso mais bonito que eu já vi...
E foi assim... Que eu vi um cara lindo se erguer na minha frente. O demônio era alto e vestia um uniforme tão bem passado que eu me perguntei mentalmente se era ele mesmo que cuidava das suas próprias roupas. Ele chegou mais perto. Identifiquei aquele olhar de quem gosta do que vê. Ando recebendo muitos olhares assim ultimamente. Deve ser o cabelo recém cortado e a minha pele que anda mais bonita. Beber dois litros de água por dia realmente ajuda. Mas enfim. Ele me faz um comentário bobo e eu lhe agraciei com uma resposta ainda mais boba. Os dois riem ao mesmo tempo. Noto que alem de lindo o sorriso dele é tímido. Também noto que não há alianças (douradas ou prateadas) em seus dedos.
Continuamos a sorrir enquanto ele me serve o refrigerante, demorando mais que o necessário (não que eu estivesse reclamando da demora). Recebo meu liquido gasoso e pergunto, de maneira mais ousada do que o normal, se ele não quer ver o filme comigo. E testemunho um milagre: Um homem feito desviando o olhar e enrubescendo na minha frente enquanto ri sem graça. Acho que eu me apaixonei ali. Abro um sorriso ainda maior... Ele é realmente adorável.
Definitivamente... Eu tenho que ir mais vezes ao cinema.


Meu perfil
BRASIL, Sudeste, Mulher, Criatura que pensa, ri, sofre e ama.