
“Você pensa em se casar, Val?”
Plena madrugada, eu e meu amigo conversando um monte de bobagens e subitamente ele me dispara essa pergunta. Depois do estranhamento inicial eu respondo apenas para perguntar depois o porquê diabos ele queria saber aquilo... Mas enfim, isso foi ontem. Hoje de tarde eu não consegui deixar de pensar no assunto. Claro que eu sei a resposta para essa pergunta. Mas o que eu estranhei, parando para pensar, é que a grande maioria não sabe...
Vamos lá, pessoal! Os tempos são outros. Hoje em dia as pessoas possuem mais opções e são solteiros por um sem numero de razões. Casamento nos dias atuais não é o que costumava ser e se você não sabe disso ainda, eu sinceramente não sei em que planeta você está vivendo. Na infância eu aprendi que para ser feliz para sempre a menina tinha que casar com um homem lindo e perfeito que, eventualmente, também fosse dono de um reino encantado. Mas foi só eu crescer um pouquinho (e ter o meu coração bobo magoado um sem numero de vezes) para entender que a vida real começa exatamente aonde os contos de fadas terminam. Feliz a Julieta que morreu antes de descobrir que o Romeu largava o sapato pela casa e que fedia igual gambá depois de andar a cavalo pelas pradarias de Verona...
Por isso, Mauro, quando você me perguntou se eu queria casar, eu disse que não, mas não dei a resposta completa, mas eu lhe dou agora: Eu não me caso por que eu sinceramente não penso que vou conseguir encontrar uma pessoa que respeite tanto essa instituição quanto eu. Por isso se eu subir em um altar (Deus me livre, prefiro casar dentro de um carro em uma capela caindo aos pedaços em Las Vegas com um Elvis Presley bêbado como testemunha!) jurando, na frente de todos os meus amigos e familiares, amor eterno para alguém, vai ser exatamente isso que eu vou fazer: amar o infeliz para sempre, ou o que é mais provável, “suporta-lo” ate que a morte (ou o homicídio) nos separarem. E “amar alguém para sempre”, meu caro, dá um puta de um trabalho. Por que amar de verdade significa ceder, respeitar, ouvir, ajudar e aprender a deixar de ser egoísta e olhar por algo que tem mais chances de morrer do que sobreviver... Como eu lhe expliquei, não tem nada haver com grana ou posição social. É uma questão de querer algo de verdade e se comprometer a fazer a relação funcionar, apesar dos pesares.
Se eu sou romântica? Não, não sou. Sou absurdamente pratica e direta. Já declinei dois pedidos de casamento por que eu sei exatamente o que eu quero para o meu futuro. Em resumo, casamento perfeito pra mim é igual a uma jóia da Tiffany’s: é algo tão bonito e difícil de se conseguir que chega a ser utópico. Custa muito para ter e manter. Definitivamente isso (seja a jóia ou a instituição) não faz o meu gênero e não combina em nada com a pessoa que eu sou... Mas Diabos! Eu não vou jogar fora se pessoa certa surgir me oferecendo... Entendeu nenê?