
Uma rápida olhada no calendário me avisa que, dos 365 dias que me foram dados, 363 já foram devidamente desperdiçados. Pelo diário das horas, me consta que ainda tenho a metade de uma unidade, enquanto o derradeiro cartucho de 24 horas se encontra na geladeira, à espera das dozes badaladas para começar o seu processo inexorável de putrefação. Em outras palavras (menos mórbidas, eu percebo) é chegado o final de mais um ano. Doze meses que chegaram e já se vão com a mesma desenvoltura daqueles penetras, que chegam para a festa sem terem sido convidados, comem do churrasco e se vão sem se dar ao trabalho de lavar a louça que sujaram... Um horror.
Pessoas, mais iluminadas do que essa que vos escreve, acreditam que é necessário um fim para que tudo tenha um recomeço. Pois sim, eu digo ao diabo com essa teoria. Seria muito mais elegante e prazeroso se o ano não acabasse nunca. Uma seqüência infindável de meses com nomes mais criativos, como “Janeibol”, “Fervemesmo”, “Marçonalta” e “Fechou”. Dessa forma, ninguém faria mais aniversario. Eureka!! A fonte da eterna juventude. Senhoras de longos cabelos brancos com seus sorrisos desdentados na flor de seus eternos 20 anos... Aonde eu assino?!?
Perdida em meus delírios, eu sei que sou mais feliz. Dando um belo chute no traseiro de 2007, eu limpo a sala para 2008. Que ao menos esse Ano Novo se revele mais útil, e não insista em colocar o pé em cima da mesa, como o ano que já foi tarde...